2.7.12

não foi por mal,

se de ti escrevo não é por meias palavras o que faço. traço no papel a minha letra inchada de ar, posteriormente, esticada por artes mágicas de quem não quer explicar o que se passa, quando o simples facto é quer ser irreverente, nem que apenas seja na sua caligrafia, para agradar não sei bem o porquê. deixarei o tão triste papel de lado pois de ti pede-se uma glória maior, mostrando o significado que cavaste no meu interior de uma forma que ainda hoje me deixa de tal forma aparvalhada. não sei de onde surgiste. de onde o destino te tirou e introduziu-te de uma forma tão enfadonha à minha frente. sabes que não foi atraente ouvir a tua voz nas minhas costas ou ver nas tuas bochechas o rubor de quem foi apanhado em flagrante que nem ousaste encarar meus olhos, um simples par de azeitonas, em que vinha anexado o aviso, vê-la com quem estás a falar. contudo, redimiste. lentamente e com palavras de circunstancia como de uma princesa eu fosse, falaste-me da tua vida, dos teus deleites e sonhos, dos teus medos e receios. sem tentativas de mostrares um eu ilusório, mostraste os teus defeitos antes das tuas qualidades. enfim, como rapariga de cabeça descolada do pescoço, puxaste-me para a terra mas mal sinto os pés assentes no solo. estarei a levitar num mundo diferente? é a cabeça tonta que sinto o mal que me fizeste - esta dependência pelas tuas palavras - não sussurradas mas escritas que me faz desenhar os sorrisos nos lábios vermelhos.

27.6.12

gostava que tivesses aqui ao meu lado.

saudade.

fui criança em tempos. um criança doce e amável. era pequena, sim, de olhos pretos com breu onde escondia as palavras pois da boca, daqueles grossos lábios vermelhos, nada sairia a não ser um imenso silencio. sei, hoje, era feliz. brincava com as bonecas no frio sótão de minha casa antiga. sozinha. decerto, criaria as minhas próprias companhias. as minhas próprias amizades saídas da imaginação fértil de uma criança de dois, três anos. sabem, recordar tais tempos é nostálgico. deixa-me com um sabor a não ter experimentado tudo o que devia na altura. parece que faltava um quase. contudo, tinha uma doçura naqueles tempos idos que nunca mais retomei a ter. não é que esta letargia após a verdade descoberta da minha realidade que me faz constatar tal. é simplesmente a verdade! a triste verdade onde me encerro que faz recordar com saudade outros momentos, momentos que hoje sinto falta, momentos que já desaparecem da minha vista pela escassez de vida que há em mim.

25.6.12

fantasias de um dia de sol sombrio.

estou longe de tudo, mal vejo os raios de sol que embatem sobre o meu quarto e me ofuscam a vista. encontro-me sob uma demência tal que faz conspurcar toda a pequena letra que escrevo com as lágrimas. tal como o outro disse, "sou uma triste". sim, sou-o pois a única coisa que fiz bem feita da minha vida perdi. entreguei-a sem lágrimas aos olhos dos outros para me criticarem. vá, armei-me em forte e valente tal como sempre o fiz. não, é preferível fantasiar! o meu sonho foi rasgado cruelmente das minhas mãos sem possível defesa e eu gritei, eu lutei, juro!, sempre com esperança de o recuperar, todavia, não me canso de o dizer... era um sonho tão dourado perdido pela sociedade, pelas suas ideias de como tudo deve ser bem medido e dentro das suas idiotices. odeio-os! juro que a minha vontade era gritar em plenos pulmões a minha rejeição a tudo o que encontro em meu redor. nem os livros gastos escapam à minha loucura... nada quero perto de mim. é sujo. simplesmente, a razão reside em tudo lembrar a minha ambição orgulhosa, os tempos cor-de-rosa onde ainda eu via, mesmo que invisível, eu via... aí se não via! aquele futuro, aí, tão bonito... aí, como é este ódio tão sujo e tão louco que faz escrever num mal amado portátil onde os meus dedos tiram proveito como forma de libertarem o mal dos deuses. eu sou um erro, está visto! quanto mais quero viver, mais desfaleço, mais tropeço nestas silvas... doí-me tanto os pés, raios de espinhos que este caminho me coloca. já ontem o pressentimento me punha a testa quente. diria a minha mãe é doença! e eu riria-me com tal diagnóstico pois meu mal não tem cura. só se um de vós, com uma varinha magica, mudar tudo a meu belo prazer. com sorte, nem a vizinha de cima escapava às minhas correcção que, evidentemente, seriam sempre para melhor. enfim, nada passa de sonhos. raios!, tudo é ilusão. preciso de ar puro, frio de uma manha de inverno e do ribombar dos trovões nos ouvidos. eu anseio por um susto, mesmo que só seja para que o meu coração volte a bater e eu sinta novamente vontade de viver, dado que, de momento, eu estou somente só.

23.6.12

só.

será tão desumano, porventura, perder um eu, alegre e confiante, por um sonho tão altruísta que me leva à loucura, que rouba o sol e transforma-o em corpo negro, absorvedor de um azar dos diabos e mal olhados.  consume-me aquele meu interior, que de carne viva se apresenta dilacerado hoje, devido a um número tão redondo, tão perfeito, tão sonhado, tão amado, agora odiado, de uma forma irreal, com uma força tão grande me me faz ser azeda comigo, contigo e com todos aspirantes ao meu sonho pois cada um deles é visto como assaltante de sonhos... sim, eu tenho aquela sensação de tremor por quem possa roubar o meu sonho. se ontem sorria pela felicidade de estar quase, quase mesmo... com um pé quase dentro de algo que ainda era tão invisível mas já visto pelos meus olhos ansiosos que querem ter tudo. pois, hoje choro. é inevitável com a carga de nervos de me encontro, pelos constantes ataques de lucidez, pelos risos patéticos e gritos de pré-vitória, eu choro a minha fraqueza. estou dentro de uma bolha que me faz perder-me na minha própria vitória que nada era mais do que uma ilusão. se há luz neste mundo, serei a cega. tudo se encontra tão escuro, tão vazio de um nada que me mata lentamente. hoje choro, choro um choro mudo, de lágrimas frias e sozinhas, sem assistência. só.

8.6.12

depressão pré-exames.

Biologia + Química + Geologia + Física + Matemática + Dormir (se houver tempo)